DATA VÊNIA, EU DEVERIA TER FEITO MODA Havia naquela sala de aula um ar condicionado que nunca funcionava direito, cuspindo um vento morno com cheiro de mofo e resignação, e as lâmpadas fluorescentes, sempre brancas demais, desenhavam olheiras artificiais nos rostos dos alunos, como se todos estivéssemos permanentemente em estado probatório, não apenas diante da…
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O Asfalto, a Chuva e o Outro
A chuva caía sobre o asfalto da Avenida Paulista com uma insistência monótona, transformando o cinza do concreto em um espelho escuro
Não se mora em pontes
Não se mora em pontes. É doloroso aceitar que a empolgação inicial não garante permanência, que nem toda amizade recente está destinada a amadurecer, assim como nem toda amizade antiga…
O bolsonarista e a petista
O BOLSONARISTA E A PETISTA A Avenida Paulista fervia sob um sol de domingo que parecia ter sido decretado por medida provisória para punir os justos e os pecadores com a mesma intensidade calcinante, derretendo o asfalto e o ânimo de quem ousasse pisar naquele solo sagrado das manifestações dominicais. Eu estava lá, estático, uma…
POLARIZAÇÃO E HAVAIANAS 1
Polarização e Havaianas. As Havaianas ficaram ali, me esperando. Eu ainda não tinha usado, porque presente novo dá uma certa culpa de uso, como se o primeiro desgaste fosse uma traição ao gesto de quem deu.
FESTA ADULTA NO ANDAR DE CIMA
Festa adulta no andar de cima. A ideia da nova crônica é simples e humilhante: eu já tinha tomado banho, escovado os dentes, passado aquele cre…
O PROTOCOLO MASCULINO QUEBRADO
O protocolo masculino quebrado revela a grande ironia é que, ao contrário dos macacos, temos o dom da palavra, a gente só esqueceu como usá-la para dizer “cara, preciso de ajuda”
DENTRO DO SAPATO
Dentro do sapato há algo violentamente humano nessa hipocrisia. Queremos tanto parecer bons que acabamos escondendo a ver…
Vizinhos Inconvenientes
Vizinhos inconvenientes. Há quem diga que o amor ao próximo é o maior mandamento. Concordo, mas desde que o próximo more a pelo menos uns cinquenta metros de distância
Hora de morrer
Hora de morrer. Meu avô sempre dizia que a gente só morre depois de terminar o almoço. Talvez por isso ele tenha durado tanto: comia devagar, mastigava cada garfada como quem lê um versículo da Torá. Para ele, ainda faltava um prato.